II - FUI ABUSADA PELO FILHO DA MINHA MADRINHA
Eu não tive uma infância pobre. Meu pai era dono de um Açougue. Meu irmão era menor de idade e o ajudava depois da escola. Meu pai trabalhava muito, incluindo os sábados e domingos. Eu o via pela manhã antes de ir para a escola e depois somente no jantar. Minha mãe era dona de casa. Somos três irmãos. A gente não tinha tudo, mas tinha o suficiente. Presentes só no Aniversário e Natal. E isso incluía roupas e sapatos novos. Era comum herdarmos roupas dos irmãos mais velhos ou primos. Eu herdava roupas do meu irmão que era mais velho, então minhas roupas eram resumidas em camisetas, shorts e tênis. As roupas das minhas primas não davam em mim, pois eu era uma criança gorda. Então tinha que aguardar meu aniversário ou Natal para saber se eu ia ganhar roupas ou sapatos novos.
Antes do Natal, sonhávamos com nossos presentes. Eu não acreditava em Papai Noel, mas fingia acreditar, porque minha mãe pedia para escrevermos as cartinhas e colocar na árvore de natal que o Papai Noel viria buscar. Papai nos atendia conforme suas possibilidades. Eu sempre queria uma boneca nova, e ganhava. No dia de Natal fui na casa da minha madrinha que morava perto da minha casa. Era comum ganhar presentes dela também. Eu lembro de uma toalha da Magali que ela me deu. Nesse dia, vi que os filhos dela ganharam um Atari. Eu nem sabia o que era isso. Fiquei fascinada com aquele videogame de jogos de sapinhos pulando e galinhas atravessando a rua. Quando eu passava na frente da casa dela ficava olhando na janela os filhos dela jogar Atari com uma televisão velha.
Um certo dia, mamãe me deixou brincar na rua depois da escola. Com os vizinhos eu estava jogando queimado a noitinha na rua. De repente todos correram para a janela da minha madrinha. O filho mais velho dela jogava Atari com aquela televisão velha. Eu falei; Ei, quero jogar videogame. Ele olhou pra janela e falou: "Ok Lulu, só você vai poder entrar pra jogar".
Eu entrei, perguntei onde estava minha madrinha e o outro irmão dele. Ele falou que os dois tinham saído pra fazer compras. Eu sentei no sofá e ele fechou a janela e as cortinas. Me deu o controle pra jogar. Ele ficou em pé atrás do sofá e me abraçando, passava a mão embaixo da minha blusa apalpando meus seios. Dizia o tempo todo: " É Lulu, você tá ficando uma mocinha." Na hora tive a reação de largar o controle do videogame, pedi pra sair... e ouvi a famosa frase de um abusador: "Não pode contar pra ninguém o que aconteceu aqui." Saí de lá com um sentimento de culpa. Não avisei minha mãe, entrei mesmo sabendo que não podia ir lá sem autorização. Se eu falar, ela vai dizer que a culpa é minha e vai me bater. Chorei pelo caminho. Entrei em casa. Minha mãe perguntou o que tinha acontecido. Só falei que estava cansada e iria tomar banho pra jantar porque queria dormir cedo. No banho, as águas do chuveiro se misturavam com as lágrimas de uma menina de dez anos que dizia pra ela mesma... "de novo não, de novo não"!

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