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Vai passar, nem que seja um caminhão em cima de mim, mas vai passr

  Este momento difícil irá passar Sei que está passando por um momento difícil, desses que abalam toda nossa estrutura e até nossa fé e esperança. Eu sei que às vezes parece que esse caminho não vai ter fim quando estamos percorrendo, mas acredite, ele vai acabar. Mesmo a mais terrível das tempestades tem um final, e depois dela vem a bonança. Da mesma forma também este momento que você está vivendo irá passar, e algo muito melhor chegará. Não perca a esperança e a fé, nunca! Elas serão suas aliadas quando o desespero tentar tomar conta da sua alma. Pense que tudo acontece por algum motivo, que mesmo as coisas menos boas têm uma razão de ser e encaminharão você para algo melhor. Use sua força para seguir em frente neste momento; em breve estará sorrindo com o coração e festejando o extraordinário triunfo da superação!

DIA BRANCO

 Hoje, quinze de setembro de 2023. O dia amanheceu chuvoso, gélido, pálido, frio. Me identifiquei com a temperatura. Acordei no modo automático, me vesti, tomei café da manhã e me perguntei mil vezes se eu poderia faltar o trabalho nesse dia. O meu senso responsável gritou, me arrumei e saí pro trabalho. No caminho meu marido reclama que eu tomo o remédio antes de dormir e apago. Ele queria sexo, eu dormir e não acordar.  Não sei se o monte de tarja preta receitado pelo meu psiquiatra não tá fazendo efeito ou se a falta dos hormônios já estão me deixando na menopausa aos 46 anos. Me sinto estacionada. No trabalho, sem chance de subir de cargo, exausta, e em casa as responsabilidades financeiras duplicam pelo baixo salário do meu marido e porque meus filhos ainda não tem o trabalho que desejam. Com o Terreiro de Umbanda, embora tenho comparecido às giras e reuniões, que me fazem bem, no meu íntimo parece que meu tempo lá acabou. Não consigo ter a mesma empolgação de antes. Aos ...

XXXI - MEUS ALTOS E BAIXOS

 Quatorze de setembro do ano de dois mil e três. Falar de si mesma não é fácil. Esse blog deveria funcionar como um diário. Não o faço diariamente (até preciso por orientação do meu psiquiatra), mas sempre esbarro na falta de tempo e no conformismo de que nada adiantaria. Enfim, ando uns dias bem diferente. Olho pro meu trabalho e não vejo perspectiva de crescimento. Pelo contrário, não vejo futuro, vejo tempos difíceis a serem enfrentados. Uma vez me falaram pra criar porco, galinha, mas nunca expectativa... Muito melhor receber uma notícia que te surpreenda positivamente do que se decepcionar. E com decepção não consigo lidar. Hoje escrevo o blog no trabalho... não que eu não tenha afazeres pendentes, mas quando você se sente desmotivada, não é fácil lidar com a rotina do trabalho. Me falta concentração. Me faço uma pergunta que não sei a resposta. Quem eu sou? Esposa? Mãe? Coordenadora de Recursos Humanos? Profissional? Quem sou eu? Não estou sabendo definir. Sem saber quem sou,...

XXX - TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

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Os transtornos de ansiedade são doenças relacionadas ao funcionamento do corpo e às experiências de vida. Posso me sentir ansiosa a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente. Tenho crises de ansiedade às vezes, mas tão intensamente que me sinto imobilizada. Tenho dias bons e dias ruins. Muitas vezes uma felicidade imensa num dia e no outro uma completa tristeza e exaustão. Risadas escancaradas num dia, crises de choro em outros. Hoje especialmente, me sentindo um ser isignificante. Trabalho todos os dias com uma profissão que requer equilíbrio. Nunca escolhi o RH, mas essa profissão na minha vida apareceu pela falta de pessoas qualificadas na minha empresa para exercê-la. Não posso dizer que ganho mal, mas não consigo guardar dinheiro, gasto excessivamente, não tenho controle financeiro. Tenho uma obra de casa inacabada e até hoje não consegui comprar um carro. Aos 45 anos, continuo morando numa casa sem cozinha, inacabada e andando a pé. Tenho a consciência que meu descontrole f...

XXIX - MEU FILHO TENTOU SUICÍDIO

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Após o episódio que aconteceu entre meu marido e a filha dele durante a pandemia, o fato ocorrido me ativou diversos gatilhos. Fui ao psiquiatra me tratar de uma ansiedade e depressão. Tudo isso em plena pandemia. Minha vida era acordar, tomar remédios, fazer as coisas de casa e dormir. Mas além de mim, quem ficou muito mal foi nosso filho. Com o lockdown, o mesmo não tinha mais escola, taekwondo, amigos...  Esse isolamento fez mal pra muita gente. No meio do desespero me vi com um filho depressivo, isolado e com crises de ansiedade e o pior: com pensamentos suicidas. Aos poucos com a vacina, a vida de todos gradativamente foi voltando ao normal. Eu e meu marido trabalhando, minha filha trabalhando numa loja e meu filho fazendo aula remota de casa. As aulas online não ajudavam meu filho sair da crise de depressão. Tentem imaginar a pior dor do mundo. A pior dor que já senti, nunca foi as surras que levei durante 20 anos de relacionamento, nem os abusos que sofri durante a infância ...

XXVIII - MINHA ENTEADA NOS ROUBOU

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Quando a gente casa, a gente casa também com a família do outro. Quando entrei na vida do Álvaro em 2002, ganhei mais 3 enteados: 1 filha mais velha, fruto de uma transferência para o Pará, onde o mesmo se envolveu com uma prostituta. 1 filho do meio com síndrome de down (pensão vitalícia) e 1 filha com uma mulher de Arraial do Cabo. O salário dele caía pra metade, já que pagava 50% do salário dele em pensão. Mas na verdade, embora sempre doía no bolso, mas sempre prezei pensão alimentícia como prioridade. Fez filho? Pague pensão. E foi numa dessas pensões que ele levou uma pernada da filha mais nova.  Lembra que eu contaria sobre o FGTS dele? De 2006 quando foi demitido no Porto? Pois é... nunca recebeu. A mãe dessa menina na época bloqueou uma parte da filha e no ano de 2021, a justiça bloqueou tudo que ele tinha na conta para ela. Sendo que nunca ele recebeu nenhum centavo desse dinheiro. Como o dinheiro ganho de toda uma vida no Porto poderia ser passado para um único filho? Po...

XXVI - UMBANDISTA OU MACUMBEIRA?

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CASA DE CARIDADE PAI MANÉ E BOIADEIROS - Arraial do Cabo - RJ A Casa de Caridade Pai Mané e Boiadeiros é um espaço de fé, acolhimento e espiritualidade, dedicado à prática da Umbanda e ao serviço comunitário em Arraial do Cabo. Nossa missão é promover a caridade, o amor ao próximo e o fortalecimento da fé, respeitando a diversidade de crenças e valorizando a tradição cultural e espiritual da Umbanda como religião genuinamente brasileira. Realizamos giras de Umbanda tradicional e atendimentos espirituais com Pretos Velhos, Caboclos, Boiadeiros, Ciganos, Baianos e demais guias de luz, a todos os que precisarem e nos procurarem em nosso terreiro, situado na Rua Epitácio Pessoa, nº 09 - Fundos – Praia Grande – Arraial do Cabo. Temos também, um calendário anual com Giras Festivas com distribuição de doces, comidas e bebidas gratuitas. Proporcionamos o acolhimento espiritual por meio de passes, benzimentos, bênçãos, aconselhamentos e rituais, e valorizamos a tradição cultural de povos de...

XXVII - CASAMENTO

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  O casamento é constante aprendizado. A gente se apaixona, e de repente já não vê mais tudo aquilo que você admirava no seu parceiro. A rotina vai retirando todo aquele tesão de início e as dificuldades, elas vêm. A dificuldade no relacionamento, ela pode ser conversada, acertada, mas quando há violência doméstica, o que você acerta? Por anos eu tentei pôr fim no meu relacionamento. Primeiro a vergonha impedia, depois a falta de apoio, depois você pensa nos filhos e o pior dos motivos: o medo. Medo de morrer, medo de ser um estorvo pra família, de ser a vergonha dos filhos... Eu passei por todas essas fases. Mas o que levou meu casamento até hoje, posso dizer que não foi só resiliência, foi a minha fé. Não vou e nunca romantizarei a violência doméstica. Eu sofri muito. Sofri o que nenhuma mulher deveria sofrer pelas mãos de quem ela ama. Embora sofresse, não podia dizer que minha fé foi inquebrantável. Eu caí diversas vezes e com a queda, eu levantei mais forte. A espiritualidade ...

XXV - PERSISTIR NO ERRO

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A violência aconteceu mais uma vez.. Mais uma vez, meus filhos ouviram, tentaram interferir... Pedi que eles fossem dormir na casa dessa minha amiga. Eu não aguentava mais tanta dor... Minha filha perguntava: Porque você ainda está com ele? Eu nem sabia mais responder... Conviver com pessoas violentas é extremamente difícil. Elas não costumam tratar os outros bem, causando desconforto em quem está ao seu redor. É necessário ter muita paciência e controle emocional para não se deixar levar por suas palavras e condutas. E cada palavra proferida a mim, doía como enfiar um punhal no meu coração... Como eu poderia amar um homem daquele jeito? Porque não amar um homem que possa me ver feliz... que me traga alegrias, que se sinta feliz comigo. Eu estava acabando com minha vida e com a vida dos meus filhos. O abuso emocional, muitas vezes vêm acompanhado de dependência emocional. Eu desenvolvia uma Síndrome de Estocolmo. Fazia as coisas que ele queria, me submetia ao ciúme irracional dele e nã...

XXIII - A VOLTA PRA CASA

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Fui embora do Rio de Janeiro. Voltei pra casa com meus filhos. Algumas semanas depois ele também voltou. Tínhamos a dívida da mudança, eu recomeçaria meu trabalho do zero, com salário inicial, a vida seria mais apertada. Mas eu estava feliz por ter voltado. Meus filhos também. Recomecei no Porto de volta à Segurança, meu cargo de promoção tinha sido dado a outra pessoa. Meu marido começou a trabalhar de auxiliar de elétrica com meu cunhado. Juntos daria tudo certo. Meus filhos foram pra escola pública, pois não poderíamos pagar uma particular até nos acertar financeiramente. Em poucos meses, conseguimos pagar a grana que devíamos da mudança, e aos poucos, melhorar nossa casa. Nossa vida tinha voltado ao normal, sem brigas, sem violência, até  sairmos para conhecer uma mulher solteira. Nos despedimos e cada um foi pra sua casa. Na volta de casa, estávamos conversando sobre uma festa em Friburgo que teria e ele tinha falado pra mim que já tinha pago. Eu não queria ir nunca mais praqu...

XXII - MORANDO NO RIO DE JANEIRO

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  Pedi um ano de licença sem vencimento do meu trabalho e em fevereiro de 2014, nos mudamos para o Rio de Janeiro. Foi muito ruim para mim e para as crianças se adaptar. Eu gostava muito do bairro em que morávamos, mas detestava o bairro em que trabalhávamos. Trabalhávamos em uma fábrica de salgados em Rio das Pedras. Lugar feio, sujo, sem saneamento básico e fora as duas conduções que precisávamos pegar para o trabalho. Matriculei as crianças em nova escola, como a escola era próxima de casa, minha filha, na época com 12 anos, ia pra escola com o irmão e a tarde ficavam sozinhos até a gente chegar a noite. Deixava almoço pronto, material de lanche, lanche de escola, mas o principal eles não tinham: a gente em casa. Para compensar os finais de semana eram dedicados à família, íamos ao zoo, as feiras, parques, visitávamos pontos turísticos, almoçávamos fora. Ficamos uns meses trabalhando naquela fábrica que eu odiava. Íamos pra Arraial somente nos feriados e meu relacionamento com m...

XXI - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

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Tentar ser uma boa mãe, enquanto meu mundo desmoronava, foi o papel mais difícil que já interpretei. Sempre me policiava para que meus filhos nunca me vissem apanhar. Nunca permiti que a imagem do pai  fosse distorcido por causa da violência doméstica. Ocorre o que a gente chama de "revitimização", em que todas as vezes que tem que lembrar o tema, revive o terror. Traz muita dor o fato de reviver tudo. E eu me lembro de cada violência sofrida.  Certa vez, pedi pra voltar pro Porto. Meu tempo na Ação Social havia terminado. Fui trabalhar na portaria do Porto onde tinha algumas meninas, voltei como secretária do chefe da segurança e trabalhava com muitos guardas do sexo masculino. Eu tinha boa relação com todos.  Certa vez, fomos fazer uma passeio de barco com as crianças, passeio esse que ganhei de um colega de trabalho. Falei com ele, tomei todo o cuidado para apresentá-lo para o rapaz que trabalhava comigo e nos dias de folga trabalhava de marinheiro em uma embarcação de...

XIX - CONSTRUÇÃO DA CASA PRÓPRIA

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  Com o que ganhávamos, conseguiríamos fazer nossa casa própria. Fizemos o desenho da casa, meu pai passou pra mim um terreno que tinha atrás da casa do meu irmão, contratamos o pedreiro e começamos a construir o sonho da nossa casa própria. Nesse meio tempo, minha irmã descobriu uma traição do marido dela. Ele a deixou para morar com outra mulher. Ela definhou, entrou em profunda depressão, não comia, emagreceu. Fiquei com pena de vê-la daquele jeito e das crianças. Ele foi embora faltando 1 semana pro Natal. Falei com meu marido e fomos dar uma força pra ela. Uniria o útil ao agradável. Nós ajudaríamos ela com as crianças enquanto tomávamos conta da nossa obra que era bem perto dela. Que prazerosa tinha tornado nossa vida. Comprávamos tijolo por tijolo e víamos nossa casa sendo construída. Pagava babá pros meus filhos enquanto eu estava no trabalho, buscava minhas crianças e as crianças dela na escola e passei a cuidar da minha irmã também que estava numa depressão terrível. Não ...

XVIII - GANHO DE CAUSA NO PROCESSO TRABALHISTA

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  Meses depois, soube que os antigos diretores do Porto tinham saído. Como o sucessor do prefeito  havia perdido as eleições, a diretoria tinha sido exonerada e deixou o meu processo correr sem a defesa deles para seus sucessores pagarem. Isso era bom pra mim. O juiz que tinha me humilhado, havia sido retirado do caso e a juíza que despachou meu processo deu ganho de causa para mim. Eu seria reintegrada ao Porto e teriam que pagar três anos do meu salário em que estive fora. O valor seria pago em 12 vezes. Agradeci a Deus porque esse dinheiro foi muito esperado. Eu teria de volta meu trabalho que me pagava melhor e ainda uma boa quantia em dinheiro que daria para construir nossa casa própria e sair da kitnet da minha mãe com as crianças. Nesse meio tempo, soubemos que o processo do meu marido também havia corrido à revelia. Ele não foi reintegrado na empresa, porque ele não tinha feito o Concurso que eu tinha feito, mas o juiz mandou pagar um valor de indenização pra ele, sua ...

XVII - TENTANDO DAR A VOLTA POR CIMA

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Logo depois da loja de descartáveis, meu marido através de um colega, conseguiu um trabalho na Segurança de uma fábrica de sal. Lá tinha benefícios que a gente precisava: plano de saúde, cesta básica... O horário dele era de tarde para a  noite e passou a ajudar muito em casa. Ele levou meu currículo quando soube que tinha aberto uma vaga para recepcionista na mesma empresa. Fiz a entrevista e consegui o trabalho. Como o salário era melhor, consegui pagar uma pessoa para tomar conta dos meus filhos. Eu pagava a metade do que ganhava, mas ao menos nossa vida teria mais dignidade. Meu marido estava melhor. A gente vivia melhor. Conseguia fazer compras, com a cesta básica a gente conseguia ajudar minha irmã que estava num casamento de merda e meus pais. De vez enquando dava pra sair com as crianças e as vezes saíamos sozinhos pra algum barzinho. Almoçávamos no trabalho, na alimentação dava pra economizar, comprava mais coisas pras crianças pra mandar pra casa da babá.  Nossa vida...

XVI - TRABALHAR PRA PAGAR AS CONTAS

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Dezembro ia se aproximando e resolvi juntar minhas forças para conseguir um trabalho temporário. Foram dias andando, distribuindo currículos. Não tinha muito dinheiro, portanto ir à Cabo Frio, tentava distribuir o maior número de currículos possíveis. Meu marido não distribuía muito. Dizia que pra área dele não tinha nada e que eu precisava de alguém para cuidar das crianças em casa e levá-las pra escola. Ele sempre foi melhor pai do que marido. Fazia almoço, dava banho, trocava fraldas, fazia mamadeira, levava e buscava de bicicleta na escola, me ajudava com a limpeza da casa. Disso eu não tinha o que reclamar. Embora a vida estivesse mais difícil, ele estava melhor também. Eu pedia a Deus que a dificuldade o fizesse um homem melhor e eu acreditava que ele estava melhorando. Fui até uma antiga colega de escola que sabia que tinha uma loja de descartáveis e perguntei se estava precisando de homem pra trabalhar. Ela falou que o trabalho era de serviços gerais, que o salário era mínimo, ...

XV - FUI HUMILHADA NUMA AUDIÊNCIA TRABALHISTA

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 Finalmente, minha audiência havia sido marcada. Eu precisaria levar uma testemunha, que estava certa, pois uma amiga tinha sido mandada embora na mesma época que nós. Era a única amiga que me restava. Meus filhos a amavam e era a única pessoa que eu conversava sobre o que eu estava vivendo. Ela foi injustiçada. Pois foi mandada embora após as denúncias que fizemos, porque era nossa amiga. No dia da audiência cheguei lá, meus advogados do Sindicato também. Minha testemunha não aparecia. O horário da audiência estava perto e ela não atendia nenhuma ligação minha. Comecei a ficar preocupada. Liguei pro meu marido e pedi pra ele ir na casa dela para saber se alguma coisa havia acontecido. Ele chegou lá, portão trancado. Ninguém respondia. A minha vez chegou. O meirinho me chamou. O juiz pediu que as partes apresentassem as testemunhas. A empresa levou meus colegas que foram forçados a ir, e diante do juiz falei que não tinha testemunha pra apresentar. Nunca me senti tão humilhada, o j...

XIV - SE SENTIR UM FRACASSO

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  Meu filho continuou na creche até os três anos, quando foi transferido para a mesma escola da minha filha. Ficava mais fácil. O juiz havia expedido uma sentença de pensão alimentícia que meu ex tinha que pagar à minha filha. Com esse dinheiro fazia algumas compras e pagava a van para eles irem para a escola. Meus pais sabiam dos problemas pelos quais estávamos passando e que não poderíamos mais pagar o aluguel. Meu marido não saía de casa pra buscar trabalho e eu ia todos os dias entregar currículo, mas sem sucesso.  Certo dia, achei umas anotações dos meus pais com o valor que estávamos devendo de aluguel. Ali a ficha caiu. Eu não morava de favor. Estava em dívida. Sem trabalho, para onde iríamos?  Meu pai fez uma cirurgia e convenci minha mãe a ficar no quarto da casa com ele. Depois de um tempo, conversei com ela, mesmo arrumando um trabalho, não seria o mesmo valor que eu recebia do Porto e que não poderia mais manter o aluguel. Fomos morar na kitinet. Meus filhos d...

XIII - A VOLTA AO TRABALHO APÓS A LICENÇA MATERNIDADE

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  Minha volta ao trabalho não foi fácil. No início consegui uma menina que ficava com meus filhos em casa. Eu saía às 07h de casa e voltava quase às 19h. A jornada de trabalho para ela era dura, eu sabia. Ela não ficou muito tempo, e como eu não conseguia ninguém para trabalhar na minha casa com um horário tão exaustivo, arrumei em Arraial com a antiga babá da minha filha. Eu teria que levar meus filhos todos os dias pra lá. Pegava duas conduções, deixavam os dois na casa dela. Uma das filhas dela levava e buscava minha filha na escola e depois eu buscava os dois na casa dela no final da tarde. A rotina foi cansativa para nós e para as crianças. Era preciso morar mais próximo ao trabalho. Conversei com meu marido, o dinheiro que pagávamos de aluguel, babá e passagens de ônibus levavam a maior parte dos nossos salários. Não compensava mais morar tão longe. Avisei ao meu pai que deixaríamos a casa e estávamos buscando outra pra alugar em Arraial. Meu pai tinha vendido todo o prédio c...

XII - DEPRESSÃO PÓS PARTO

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  Meu médico me deixou 1 semana internada para eu poder acompanhar meu filho na UTI e não ter que ir pra casa sozinha. Meus pais foram me buscar no dia da alta. Pediram pra nós ficarmos na casa deles durante o período do resguardo. Meu filho chorava muito, por ser muito pequeno, não pegava o peito e tomava leite na seringa. Fiquei 10 dias na casa da minha mãe. Ela me ajudou. Eu estava frágil, mal dormia e ainda cuidava dos meus filhos. Ele ainda levou a filha dele pra lá durante todo esse tempo. Isso foi motivo de uma briga entre a gente. Eu tinha acabado de dar a luz, minha mãe me ajudava com as coisas do bebê e da minha filha e ele ainda levava outra criança pra dar trabalho? Com as brigas fiquei com vergonha de ficar na casa dos meus país, pedi pra ir embora. E voltamos pra nossa casa distante. Como eu estava agora de licença maternidade, meu tempo era exclusivo aos meus filhos. Não dava conta de tudo. Ele saía pra trabalhar cedo. Eu tinha que fazer as tarefas da casa, cuidar de...