XXIII - A VOLTA PRA CASA


Fui embora do Rio de Janeiro. Voltei pra casa com meus filhos. Algumas semanas depois ele também voltou. Tínhamos a dívida da mudança, eu recomeçaria meu trabalho do zero, com salário inicial, a vida seria mais apertada. Mas eu estava feliz por ter voltado. Meus filhos também.

Recomecei no Porto de volta à Segurança, meu cargo de promoção tinha sido dado a outra pessoa. Meu marido começou a trabalhar de auxiliar de elétrica com meu cunhado. Juntos daria tudo certo. Meus filhos foram pra escola pública, pois não poderíamos pagar uma particular até nos acertar financeiramente. Em poucos meses, conseguimos pagar a grana que devíamos da mudança, e aos poucos, melhorar nossa casa.

Nossa vida tinha voltado ao normal, sem brigas, sem violência, até  sairmos para conhecer uma mulher solteira. Nos despedimos e cada um foi pra sua casa. Na volta de casa, estávamos conversando sobre uma festa em Friburgo que teria e ele tinha falado pra mim que já tinha pago. Eu não queria ir nunca mais praquelas festas e ele insistiu. Na discussão falei pra ele que não ia pra festa alguma e  Lembro que ele ficou enlouquecido. Que estávamos afastados porque eu queria. Que ele queria ir pra festa, reencontrar os amigos. Na volta pra casa, no meio do caminho, levei torções no braço e ainda me imprensou contra a parede e apertou meu pescoço...

Estava acontecendo tudo de novo. Chegamos em casa e nossos filhos estava acordados assistindo tv. Me viram chorando, perguntaram o que tinha acontecido, fui pro meu quarto e ele atrás de mim para me bater. Naquela noite, eu falei que daria um basta. Quando ele me batia, eu gritava para as crianças ouvir. Eu cansei de blindar ele pras crianças. Meus filhos batiam na porta do quarto chorando pedindo pra ele parar. Ele parou, meus filhos entraram e viram as manchas roxas que eu tinha pelo corpo. Minha filha pediu que eu fosse na delegacia, ali pensei que aquele era o momento. Meu filho chorava porque não queria ver o pai sendo preso.

Naquela noite, ele dormiu na sala, eu no quarto com meus filhos. Pedi pra minha filha tirar foto dos hematomas e deixar guardado no celular dela. Se alguma coisa me acontecesse, ela teria as provas. A que ponto chegou nossa relação.

No dia seguinte, falei a ele que ia na delegacia. Ele me pediu perdão. Chorou. Disse que queria mudar. Quando eu insisti que queria ir, de novo ele me ameaçava mostrar minhas fotos íntimas pra todo mundo, principalmente pros meus pais e meus filhos. Que ele iria mostrar a santinha pra todo mundo. Eu falei que se isso acontecesse, eu ia escancarar o que ele tinha feito para todos os amigos e que ele seria banido de qualquer grupo. Eu já não estava me importando se ele ia mostrar as fotos para alguém. Eu só queria que aquele sofrimento acabasse.

Não conseguimos nos entender dessa vez. Achei que era hora de desmascará-lo. Com o casal que nos daria uma carona para a tal festa que ele já tinha pago, eu mandei as fotos dos hematomas e falei que meu casamento estava acabando e que não iria mais pra festa nenhuma com ele. Eu sabia que como ela produzia festas, ia ficar do meu lado e queimar ele no meio dos amigos.


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