I - Meu Primeiro Algoz - Como iniciou o Abuso Infantil na Minha Vida
Estou iniciando uma jornada, talvez uma jornada de autoconhecimento e cura. Falar da depressão e ansiedade é um grande passo para a cura.
Cresci num lar estruturado. Com pais, irmãos, primos, avós... uma família amorosa. O coração enorme do meu pai trouxe ainda um irmão dele de criação para morar conosco. Foi o início de um pesadelo.
O primeiro abuso aconteceu ainda na casa da minha avó paterna. Minha mãe foi levar minha irmãzinha ao médico e pediu minha avó para ficar comigo. Almocei, e lembro que estava com um collant verde e um short. Estava com sono após o almoço e pedi minha avó para dormir. Ela tirou o meu short para não me apertar enquanto dormia, estava só de collant, eu estava no pré escolar e me lembro muito bem. Eu tinha uns 5 anos. Eu dormi a tarde toda e minha avó aproveitou para ficar um pouco no armazém que meu avô tinha embaixo da casa deles. Eu acordei sentindo uma pressão sobre o meu corpo. Abri meus olhos e vi meu tio nu, em cima de mim, esfregando suas partes íntimas na minha perna, tentando puxar meu maiô pro lado. Eu gritei, gritei alto. Ele saiu correndo. Minha avó não escutou. Fui pro banho chorando. Eu não entendia o que tinha acontecido. Mais tarde minha avó chegou do armazém, eu estava vendo desenhos na televisão, perguntou se eu estava com fome e eu respondi que sim. Algo me dizia que o que tinha acontecido estava errado e eu tive medo da reação da minha avó. Como um filho adotivo que ela criou com tanto amor, poderia estar brincando daquele jeito comigo? Eu não sabia o que era, mais sentia vergonha. Mais tarde, uma prima minha foi brincar comigo na casa da minha avó. Contei pra ela o que tinha acontecido. Ela falou que eu estava imaginando coisas.
Depois daquele dia, segui minha vida normal. Meus avós iriam se mudar de perto da minha casa. Iam morar numa cidade vizinha. Meu tio moraria na minha casa para trabalhar no açougue do meu pai. Me lembro que o meu "tio" de 18 anos, dormia no mesmo quarto do meu irmão mais velho, adolescente de uns 12 anos. Eu já tinha 8 na época. Eu dormia num quarto com minha irmã mais nova de 5. Lembro que acordava algumas noites e via o meu tio na porta do meu quarto de madrugada, apalpando suas partes íntimas enquanto nos via dormir. Na minha inocência de criança, eu não entedia muito bem, só mais tarde fui saber que ali começaria uma infância de abuso.
Mesmo com pouca idade eu tinha medo, não gostava de ficar perto dele. Durante o dia eu ia pra escola, brincava com amiguinhas e frequentava a catequese no sábado. Minha avó materna me levou pra Igreja Católica pra fazer a primeira comunhão porque eu já tinha idade. E eu gostava de ir pra lá. Ela morava num bairro diferente e tinha uma casa legal. Vovó fazia todas as minhas vontades. Eu sempre pedia minha mãe pra dormir lá porque eu poderia ficar longe do meu tio. Lembro que ele ia pra uma igreja evangélica aos domingos, mas durante a semana, ia só de cueca para o meu quarto. Me acariciava em partes que eu não sabia se podia acariciar, ele dizia que não era pra contar pra ninguém porque era um carinho de tio para uma sobrinha. Eu já não dormia bem.. Minha mãe não deixava eu trancar o quarto porque eu tinha crises de bronquite e ela sempre ia ver a mim e minha irmã para saber se estávamos bem.
Eu achava engraçado se minha mãe nos visitava durante nosso sono, como aquele desgraçado ia todas as noites pro meu quarto sem ela ver?
Numa noite ele adentrou novamente no nosso quarto. Estava só de cueca. Não veio até minha cama, foi até a cama da minha irmãzinha. Meu instinto protetor falou mais alto que o medo. Eu gritei. Acordei minha irmã, meu tio desesperado saiu correndo pro quarto do meu irmão. Meus pais foram até meu quarto. Contei que meu tio estava no nosso quarto em cima da minha irmã. Meu pai foi até o quarto do meu irmão e disse que ele estava dormindo. Provavelmente aquele filho da puta fingia. Minha mãe foi até minha cama, me deu um beijo no rosto e disse: "Calma, foi só um pesadelo.", pediu pra rezar a Oração pro meu Anjo da Guarda e voltar a dormir. Não consegui dormir novamente. Meu anjo da guarda não estava ali pra me ajudar. Eu tinha que protegê-la. Ele não poderia tocar na minha irmãzinha. E depois dessa noite ele nunca mais entrou no nosso quarto.

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